segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Está pensando em ir para Orlando? Algumas opções para comer e beber bons vinhos na terra do Mickey

Tenho que começar este post sendo super-sincero: antes de ir à Orlando eu achava que este tipo de passeio seria a maior furada, pois esse papo de "terra da fantasia", parques temáticos, american way of life... nunca fez a minha cabeça. Mas como tenho filhos pequenos, sempre soube que chegaria a hora... Surpreendentemente, acabei curtindo bastante as nossas idas para lá. A alegria das crianças nos parques e a alegria dos adultos nas compras e outros passeios compensou toda a dúvida que eu tinha a respeito deste tipo de viagem. E como dizia aquele velho personagem, temos que admitir que "os americanos são muuuuuito melhores...".
Mas indo de encontro à intenção deste blog, que é tratar principalmente de bebidas e comidas, a primeira falácia que muito se ouve - mas que contesto - é que se come mal nos EUA. Bullshit. Como diz o título daquele livro de W. Olivetto: "Só os patetas comem mal na Disney". Come mal quem quer comer mal - ou quem não gosta de gastar para comer bem.. Com exceção aos parques, onde são raras as boas opções, na cidade de Orlando encontram-se inúmeras e variadas opções, incluindo-se aqui boas redes de restaurantes: Olive Garden (de influência italiana), Red Lobster (frutos-do-mar), Tony Roma's (influência italiana, tex-mex), The Cheesecake Factory, Bonefish Grill (steaks e frutos-do-mar, diria eu o mais legítimo restaurante de estilo "americano" que visitamos) - todos se mostraram com uma boa variedade de pratos, bons ingredientes e cuidado no preparo e atendimento.

Excelente linguni com lagosta, scallops (vieiras "saint jacques") e mexilhões do Red Lobster



Entradinhas e um belo burrito na Cheesecake Factory

Pura perdição... vitrine das sobremesas na Cheesecake Factory do Mall at Milenia
Todos também tem boas opções de vinhos, tanto em garrafa como em taça, dando preferência - é claro - aos californianos, mas contendo também algumas opções importadas, principalmente da França e Itália. E o preço, pelo menos para os padrões paulistanos, é muito mais justo. Minha família é composta de 4 pessoas, normalmente pedíamos uma entradinha compartilhada, mais prato principal, tomávamos vinho, às vezes sobremesas (quando não estávamos completamente satisfeitos devido à fartura dos pratos) e não desembolsei mais que US$100 para pagar uma refeição. Recomendo ainda um restaurante italiano muito gostoso, o Maggiano's, na International Drive do ladinho da casa-de-ponta-cabeça - ambiente aconchegante, um pouco mais refinado, e comida muito boa, tudo com um ótimo preço.

Penne "alfredo" no Maggiano's
O único parêntese que faço sobre a comida local é o uso às vezes excessivo de pimenta, que é ingrediente fundamental em tudo - e deve-se tomar certo cuidado quando o cardápio traz informações como hot pepper ou red pepper na composição dos pratos, pois eles não as usam com muita parcimônia não... Jalapeño e pimenta jamaicana também é bem comum por lá, até mesmo nos sanduíches.

Entrada de camarões (apimentada...) no Tony Roma's

Shrimp scampi no Olive Garden
Também com exceção ao interior dos parques, normalmente encontra-se lanchonetes muito boas por lá. Nos dias de compras recorríamos aos hambúrgueres e cachorros-quentes no almoço, e neste caso recomendo a rede Johnny Rocket's, onde o atendimento é atencioso e os sanduíches muito saborosos.
Dentro dos parques, fizemos algumas boas refeições. No Sci Fi Dinner, uma lanchonete que imita um antigo cinema drive-in no Universal Studios, os sanduíches são saborosos e provei uma ótima cerveja artesanal local. No Epcot Center a oferta deste tipo de cerveja, de várias localidades dos EUA, é abundante, e como estava bastante calor no dia deste passeio aproveitei bastante... No pavilhão da França, brindamos com uma taça de champagne (no "Bar à Vins" são servidas algumas boas opções de vinho em taça), antes de jantarmos no Chefs de France, imitação quase perfeita de um bistrot parisiense (eles até mancharam os espelhos das paredes para parecerem envelhecidos). Comemos bons pratos de frutos-do-mar acompanhados por um bourgogne branco. Na nossa primeira visita ao Magic Kingdom almoçamos no Be Our Guest, restaurante temático de "A Bela e a Fera", que parecia a maior furada (lugar enorme, fila quilométrica), mas até que foi gostoso. Comida de "inspiração" francesa: salada niçoise, croque monsieur... Nestes parques a energia é tão boa que você às vezes precisa se desligar e dar um desconto...

Prato de frutos do mar (vieiras e camarões) no Chefs de France, no Epcot Center

Cervejas artesanais são boas opções nos pavilhões, lanchonetes e restaurantes do Epcot Center

Cheeseburger saboroso do Johnny Rocket's

Mas para mim os principais eventos enológicos foram durante as nossas visitas a Winter Park (não sei exatamente se é uma cidadezinha ou um bairro próximo a Orlando Downtown), só sei que é um lugar muito agradável, tipo uma estância turística, uma "Campos do Jordão" de lá. Uma região de lagos, cujas margens são repletas de imensas mansões de figurões locais, jogadores do Orlando Magic e atores de Hollywood (Tom Hanks, por exemplo, tem uma casa por lá). Na Park Avenue, o "Capivari" de Winter Park, existe um wine bar, o Wine Room, com uma imensa oferta de vinhos em taça expostos nas enomatics, aquelas máquinas automáticas de servir que conservam as garrafas abertas com a injeção de gás inerte e também mantêm os vinhos na temperatura correta para consumo. Você carrega um cartão com a quantia que pretende beber e vai inserindo em cada máquina para se servir da quantidade e do vinho desejado. Ali pude conhecer bastante da vinicultura americana, partindo dos chardonnays californianos com gosto pesado de baunilha, passando pelos pinot noirs meio moles da Califórnia, chegando aos mais "sérios" do Oregon e terminando nos merlots e zinfandels doces e concentrados (curiosamente não havia cabernets nas maquininhas...) Para zerar o saldo do cartãozinho provei um belíssimo châteauneuf-du-pape e encerrei com uma dose do quase mítico Sassicaia, da safra então mais nova no mercado - 2010, sem dúvida muito jovem ainda. Mas pelo que eu já tinha ouvido falar deste vinho "que só pode ser bebido depois de uns 15 anos, que quando jovem é muito austero, blá-blá-blá...", eu esperava um vinho muito duro, só que não...
Leia neste outro post um pouquinho mais de detalhes sobre os bons caldos que bebi por lá. 
À bientôt! Santé!












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