Glossário

Nesta página tentarei explicar melhor alguns termos comuns no mundo enófilo, bem como umas palavrinhas francófonas que insisto em utilizar nas minhas postagens. Qualquer dúvida ou sugestão, favor deixar nos comentários.

-A-
Amanteigado: Aroma aportado principalmente aos vinhos brancos que sofreram a fermentação malolática, e que possivelmente permaneceram em contato com sua borras em barril de carvalho.
Apelação: Do francês appeler = chamar. "Nome" do vinho, sistema pelo qual os organismos de controle nacionais e internacionais identificam a procedência de um vinho.
Assemblage: "Mistura" de dois ou mais vinhos, de uvas, safras ou procedências diferentes, em um mesmo lote de vinho. Muito comum nos vinhos do Velho Mundo, que são geralmente chamados pelo nome da região de origem e não pelo nome da cepa que os origina.
-B-
Bâtonnage: Do francês baton = bastão. Técnica empregada em vinhos elevados em barril, através da qual se procura colocar em suspensão no líquido por agitação, com a utilização de um bastão, os restos de leveduras decantados no fundo do barril. Utilizada por exemplo nos grandes brancos da Borgonha, onde as leveduras provenientes da fermentação malolática trazem a textura e o caráter amanteigado destes vinhos.
Boisé: Do francês bois = madeira. "Amadeirado". Característica originalmente aportada aos vinhos pela criação (élevage, crianza) em barris de carvalho. Dependendo da origem da madeira (americana, francesa ou balcânica) e do grau de tostagem (o barril é tostado ao fogo no seu processo de produção), traz diferentes características olfativas ao vinho - baunilha, coco, especiarias, caramelo, defumado.
Botritizado: Vinho doce, feito com uvas que sofreram concentração dos açúcares devido à ação de um fungo, o Botritys cinerea, que gera micro-perfurações na casca, desidratando o bago. Comum em Bordeaux, nas regiões de Sauternes e Barsac, que produz os mais longevos vinhos brancos doces do mundo.
Bouchon: "rolha".
Bouchonné: vinho "rolhado", com gosto de rolha; diz-se do vinho cuja rolha foi infectada com microorganismos que resultam em um odor desagradável de pano molhado, embolorado.
Bouquet: Diz-se do conjunto de aromas presentes em um vinho evoluído, que já adicionou os aromas terciários provenientes da maturação e do envelhecimento.
Brut: "Seco", usualmente utilizado para os espumantes.
-C-
Carafer: Expressão francesa similar a "decantar" ou "aerar": ação de transvasar o conteúdo da garrafa de vinho para outro recipiente, com a intenção de aumentar o contato com o ar, volatilizando seus compostos e "abrindo" seus aromas.
Cave: Estrutura geralmente subterrânea destinada a armazenar vinhos em período de criação. Hoje em dia denomina também os modernos armários climatizados para o armazenamento de garrafas.
Cepa: Tipo de uva. As mais usuais são - tintas: cabernet sauvignon, merlot, cabernet franc, petit verdot, pinot noir, malbec, carmenère, syrah, sangiovese, nebiollo, barbera, grenache, tempranillo, mourvèdre, cinsault,  gamay, tannat, touriga nacional; brancas: chardonnay, sauvignon, sémillon, riesling, viognier, chenin blanc, gewurztraminer, pinot griggio, furmint, torrontés, alvarinho, moscatel, viura, palomino, entre outras milhares.
Champenoise: Método de elaboração de espumantes originado na Champagne (também chamado método tradicional). Consiste em provocar a segunda fermentação nas garrafas, através da adição de leveduras, o que gera o aprisionamento do gás carbônico no vinho.
Charpenté: Do francês - estruturado.
Climat: sub-divisão do terroir em um local mais restrito com características ainda mais específicas.
Corte: Assemblage
Crémant: vinho espumante fino produzido em outras regiões francesas que não a Champagne (crémant de Loire, crémant de Bourgogne, crémant d'Alsace...)
Crianza: Do espanhol - criação (élevage) dos vinhos elaborados em cubas ou barris visando sua maturação antes do engarrafamento e expedição. Traz benefícios como a homogeneização, micro-oxigenação, amaciamento dos taninos, aporta características olfativas  gustativas e de textura conforme o caráter do material do recipiente e propicia a utilização de técnicas vinícolas como a bâtonnage.
Cru: palavra de difícil tradução, parece ter vindo do particípio do verbo croître (cescer) em francês.  Traduzida também como "cultivo". Em relação ao vinho, tem direta ligação ao terroir, significando uma área de terreno com certas e destacadas características. Aparece nas apelações dos vinhos em regiões como Bordeaux (os crus classés do Médoc e de St-Émilion), Bourgogne (Grand cru, Premier cru) e em rótulos de outras regiões onde a qualidade de algum vinhedo se destaca em relação aos seus vizinhos (na Champagne, na Alsace...)
Cuvée: Do francês cuve = cuba. Literalmente "encubado", vinho que descansou em cubas ou barris. Às vezes algum produtor faz uma distinção no rótulo "grand cuvée" para ressaltar um vinho top de linha.
Cuvée de Prestige: vinho top de determinado produtor, termo mormente utilizado na região de Champagne.
-D-
Demi-sec: meio-seco.
-E-
Élevage: Do francês élever = criar, "educar". Criação (crianza).
Enófilo: literalmente "amigo do vinho". Amador.
Enólogo: profissional, atualmente de nível técnico ou superior, capacitado a trabalhar em todas as etapas de produção do vinho, desde a condução de vinhedos até a comercialização.
-F-
Fermentação alcoólica: Processo bio-químico através do qual as leveduras presentes no mosto transformam o açúcar das uvas em álcool, liberando gás carbônico. Hoje em dia, além das leveduras presentes naturalmente nas cascas das uvas (leveduras indígenas), utiliza-se também adição de leveduras selecionadas para disparar a fermentação.
Fermentação carbônica: Processo de fermentação no qual as uvas são introduzidas em um recipiente hermeticamente fechado, onde sofrem o rompimento dos bagos pela ação do peso próprio, iniciando o processo de fermentação alcoólica e consequentemente aumentando a pressão interna do recipiente pela liberação do gás carbônico. Este aumento de pressão faz com que a fermentação aconteça internamente nos bagos não rompidos, que depois são levemente prensados gerando um vinho leve, fresco e frutado, como por exemplo os beaujolais nouveaux.
Fermentação malolática: Após a fermentação alcoólica, durante o período de criação, alguns vinhos espontaneamente sofrem a fermentação malolática, que transforma o ácido málico (maçã verde) em ácido lático (leite), suavizando a textura e o sabor do vinho. Pode ser artificialmente estimulada ou inibida, de acordo com o caráter que o enólogo quer imprimir ao produto final.
Fût: Barril
-G-
Gouleyant: Vinho redondo, macio, aveludado, gostoso.
-H-
Halo: Borda do vinho no interior da taça, na análise visual pode denotar o amadurecimento dos vinhos. Vinhos jovens demonstram um halo aquoso, transparente, enquanto que vinhos tintos envelhecidos tendem a ter halos de cor alaranjada, passando antes pela cor de tijolo e pelo granada.
-I-
IGP: Indicação Geográfica de Procedência. Na maioria dos países do Velho Mundo (França, Espanha, Itália), o segundo degrau de qualidade na hierarquia dos vinhos, acima dos vinhos de mesa e abaixo dos vinhos de qualidade superior.
-J-
-L-
Lágrima: Também chamada de "perna", é a gota de vinho que escorre pela parede da taça após o primeiro giro do vinho na taça. Numa análise visual mais apurada, pode insinuar informações como a densidade, teor alcoólico, corpo do vinho.
Licor de expedição: solução de vinho e açúcar adicionado às garrafas de espumante que foram abertas para a retirada das leveduras mortas, segundo o método tradicional, que tem como objetivo completar o nível da garrafa e determinar seu teor final de açúcar - se o espumante será um dry, brut, demi-sec, etc. No caso do champagne, temos o brut sauvage ou brut nature (sem adição de açúcar), brut (até 15g de açúcar por litro), extra-sec ou extra-dry (12 a 20g de açúcar), sec ou dry (17 a 35g), demi-sec ou rich (35 a 50g por litro), ou ainda o doux, o mais doce, acima de 50g por litro.
-M-
Maceração: Parte do processo de vinificação em que os sólidos (engaço, casca, semente) permanecem em contato com o suco visando aportar características como cor e taninos.
Moelleux: vinho doce
Mole: vinho sem acidez, adocicado, enjoativo, sem-graça.
Mousseux: vinho espumante, geralmente mais rústico que os espumantes finos.
-N-
Novo Mundo: Conjunto de países onde a vitivinicultura como atividade econômica e de exportação se desenvolveu mais recentemente: África do Sul, Argentina, Austrália, Chile, Estados Unidos, Nova Zelândia...
-O-
-P-
Perlage: Do francês perle = pérola. Característica visual transmitida aos espumantes pelas bolhas, "colar de pérolas". Diz-se quando as bolhas são delicadas e percorrem a taça organizadamente, formando na superfície uma coroa de espuma.
Pupitre: Estantes em formato de cavaletes de madeira onde se deixa repousar as garrafas de espumante trabalhadas segundo o método champenoise ou tradicional, com o objetivo de decantar as leveduras mortas pela segunda fermentação no gargalo da garrafa, facilitando sua posterior retirada.
-Q-
-R-
Rémuage: Técnica normalmente utilizada para a produção de espumantes pelo método champenoise (tradicional), na qual se inclina progressivamente a garrafa sobre seu gargalo após a segunda fermentação na garrafa, com o intuito de aportar características das leveduras ao vinho ao mesmo tempo em que o resíduo se acumula no gargalo, facilitando sua posterior retirada.
Rosé: vinho rosado que pode ser obtido pelos processos de prensagem direta (no qual a uva é delicadamente prensada e o suco rapidamente retirado do contato com as cascas), sangria ou assemblage de vinhos tintos com brancos.
-S-
Sangria: Processo de obtenção do vinho rosado onde se retira parte do mosto de vinho tinto uma parte do suco ainda não totalmente fermentado e macerado para concluir o processo de vinificação em outra cuba em separado. Gera rosés mais alcoólicos e coloridos. Também é nome de uma bebida de origem espanhola feita com vinho, frutas e soda.
-T-
Taninos: substância presente nas cascas, sementes e engaços (talos) das uvas, que dá a sensação de adstrigência e secura na boca. Aporta estrutura e capacidade de envelhecimento, e é "parceira" dos polifenóis, compostos aos quais se alega benefícios à saúde.
Terroir: de difícil tradução, este termo se refere à soma dos conjuntos climáticos, geológicos e humanos que ao longo dos tempos fizeram um vinhedo se transformar naquilo que é hoje.
-U-
-V-
Varietal: Vinho proveniente de uma só cepa, comum no Novo Mundo.
Velho Mundo: países mais tradicionais na fabricação do vinho, mormente europeus.
Vinho de corte: assemblage; mistura de dois ou mais vinhos, de uvas, safras ou procedências diferentes, em um mesmo lote de vinho

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